Nos meus olhos, divina claridade
A minha pátria aldeia alumiou
Duma luz triste, que já era saudade.
Humildes, pobres cousas, como e sou
Dor acesa na vossa escuridade...
Sou, em futuro, o tempo que passou;
Em mim, o antigo tempo é nova idade.
Sou fraga da montanha, névoa astral,
Quimérica figura matinal,
Imagem de alma em terra modelada.
Sou o homem de si mesmo fugitivo;
Fantasma a delirar, mistério vivo,
A loucura de Deus, o sonho e o nada.
T.P. -Sempre
