Noto que é madrugada.
Não dá para dormir, apesar da constante insistência.
Não olho para o telemóvel, já sei que está tudo bem.
Metade do que pensei escrever já me passou, infelizmente já não consigo memorizar tão bem como o fazia dantes. Dou por mim na rua a olhar para as mãos, para os dedos. Quem já me conhece bem, M, sabe que passo a vida a fazer isto. não sei porque é que o faço, é um tique. Faço-o talvez para me distrair constantemente. (...Disse-te hoje que gostava que estivesses assim, contente. Estupidamente afastei-me de ti tão depressa que às vezes penso que já nem te conheço tão bem como dantes; vais querer bater-me por esta eu sei...)
Estou afastado da minha cabeça, tanto que já sei que quando acabar não vou concordar com o que escrevi, enfim, parvoíce.
Hoje foi estranho, voltei a pensar no velho, gostava de saber o que seria feito dele. "Talvez ainda esteja por cá." Talvez esteja bem e queira cá vir dar-me aquela palmadinha nas costas, como ele gostava, quando eu ficava stressado com alguma coisa. Mas não hoje. Não amanhã, nem depois de amanhã. Pois. Apaguei muita memória desse tempo, não me interessava. Talvez hoje esteja assim por causa disso, algo que fiz com que desaparecesse tão rapidamente, acabou por tornar-se algo que vai fazer com o que o mesmo aconteça comigo.
Dou à ignição e sorrio, como um puto, quando arranco com o bmw pela rua principal, aquela obsessão primitiva que tenho de ouvir o ronronar daquele motor; apesar dos amigos dizerem para ter cuidado, não exagerar, ele tornou-se mais uma ferramenta da minha distracção. Um pouco à semelhança dos dedos, sim.
Enquanto aumento a velocidade, vou juntando linhas de pensamento, asneiras já feitas e por fazer, amizades que por coisas que disse foram à vida e novamente, que por coisas que possa dizer o mesmo acontecerá brevemente.
Acredito que são somente pensamentos meus. Do género de pensamentos que tu conheces quando eu te digo que estou a sorrir, porque já não sei pura e simplesmente chorar ou sentir-me mal. É estranho tu saberes como é que me apanhas tão facilmente, sou demasiado transparente, achas?
Páro o carro e fico a olhar para aquela estrela, a que está ao lado da Lua; começo a rir quando me lembro da noite em que ela ficou a olhar para a mesma estrela, enquanto eu a chateava incessantemente. (...) Ela odeia perguntas e muito menos que a chateiem, sei disso, mas também sei que ela está lá para quando for necessário. Fico contente com isso.
Passei por aquele banco onde já filmei inúmeras cenas com os rapazes. Adoro quando eles têm ideias espectaculares e eu tento estragar a cena. Torna-se cómico, porque acabamos por concordar uns com os outros e dá sempre palhaçada. O J. atura-me, bem como os outros dois, mas este sabe bem como trabalhar para puxar uma parvoíce da minha pessoa. Adoro este puto por causa disso.
Enquanto bebo um café, lembro-me dela e da vontade que tenho de lhe falar. Já decidi que é melhor beber o café, embora ainda por vezes veja se recebo uma mensagem.
Ao fim de algumas horas a escrever, isto foi o que decidi colocar. Nada de mais, só o suficiente para saber que mantenho a minha sanidade mental.
Guardei a folha. Acho que um dia destes vou querer escrever tudo. Uma outra noite em que esteja tanto frio como hoje. Por agora, vou fazer aquilo que gosto mais, dar uma volta pela areia e ir dormir.
Até amanhã.
Amanhã não me lembro disto, vou sorrir.
E pensar que está tudo como deveria estar. Bem.
P.S.: quero dar-te aquele abraço, o que te dou sempre que estou cheio de saudades tuas.
Sunday, November 21, 2010
Friday, November 12, 2010
Quem és tu.
o som da chuva abafa o bater incessante dele;
segundos para perceber que estás perto.
Sei a maneira como vês, ainda que te escondas.
contas-me as horas do teu dia, momentos em que te enervaste ou ficaste alegre.
tomas a conversa e tornas-a electrizante, a um ritmo só teu, como tu sabes ser
adoras movimentar os dedos e rir.
sim, rir será talvez aquilo que melhor te define, aquela necessidade que tens de transpor, a imagem de que tudo está bem quando na realidade tu não sabes se está.
talvez por isso queiras manter-nos na incerteza, irrita-te o facto de quererem que estejas bem.
enquanto falas, a luz do farol ofusca-me.
não me faz abstrair de ti, no fundo nada fez até agora.
roubas-me a maneira de equacionar razões para (...)
e é só nesse segundo que quero dar-te um beijo.
(algo faz com que não não consiga escrever isto tudo. merda.)
segundos para perceber que estás perto.
Sei a maneira como vês, ainda que te escondas.
contas-me as horas do teu dia, momentos em que te enervaste ou ficaste alegre.
tomas a conversa e tornas-a electrizante, a um ritmo só teu, como tu sabes ser
adoras movimentar os dedos e rir.
sim, rir será talvez aquilo que melhor te define, aquela necessidade que tens de transpor, a imagem de que tudo está bem quando na realidade tu não sabes se está.
talvez por isso queiras manter-nos na incerteza, irrita-te o facto de quererem que estejas bem.
enquanto falas, a luz do farol ofusca-me.
não me faz abstrair de ti, no fundo nada fez até agora.
roubas-me a maneira de equacionar razões para (...)
e é só nesse segundo que quero dar-te um beijo.
(algo faz com que não não consiga escrever isto tudo. merda.)
Monday, November 01, 2010
pânico.
És tola. Irritas-me, sabes isso e eu adoro.
Já percebeste que palavras não servem para nada neste contexto. As palavras distorcem-me.
Irrita-te a respiração, não sei se é por ser ofegante, se é porque te faz aperceber como está a pessoa a teu lado; talvez isso te assuste. Ou chateie, não sei.
Uma coisa é curiosa: nunca tenho certezas ao pé de ti. Intimidas quando ficas a olhar para mim, não percebo se queres que fale ou que sorria para ti de volta.
Fico nervoso quando falas comigo, mas tu sorris e fazes parecer que está tudo bem; fazes com que eu queira estar bem. Agrada-me a ideia.
Cada vez que te digo que penso nela, irritas-te e tentas chamar-me à realidade com um puxão de orelhas e uma descarga de palavras; às vezes penso que me passam completamente ao lado.
Sei que não posso ficar a olhar para trás durante tanto tempo. Não me faz bem, mas parece que propositadamente o faço constantemente.
Não gosto quando estás triste. Acho hilariante quando franzes o olho.
Tornaste-te uma constante. Alguém que me faz voltar a pensar.
O que é que achas?
Vais ficar a olhar para mim e vais sorrir, não me parece que digas qualquer coisa.
Já percebeste que palavras não servem para nada neste contexto. As palavras distorcem-me.
Irrita-te a respiração, não sei se é por ser ofegante, se é porque te faz aperceber como está a pessoa a teu lado; talvez isso te assuste. Ou chateie, não sei.
Uma coisa é curiosa: nunca tenho certezas ao pé de ti. Intimidas quando ficas a olhar para mim, não percebo se queres que fale ou que sorria para ti de volta.
Fico nervoso quando falas comigo, mas tu sorris e fazes parecer que está tudo bem; fazes com que eu queira estar bem. Agrada-me a ideia.
Cada vez que te digo que penso nela, irritas-te e tentas chamar-me à realidade com um puxão de orelhas e uma descarga de palavras; às vezes penso que me passam completamente ao lado.
Sei que não posso ficar a olhar para trás durante tanto tempo. Não me faz bem, mas parece que propositadamente o faço constantemente.
Não gosto quando estás triste. Acho hilariante quando franzes o olho.
Tornaste-te uma constante. Alguém que me faz voltar a pensar.
O que é que achas?
Vais ficar a olhar para mim e vais sorrir, não me parece que digas qualquer coisa.
Saturday, October 09, 2010
Monday, September 27, 2010
Friday, September 24, 2010
vou dar uma volta, vens?
Estou a andar.
O casaco está todo encharcado mas é um impermeável.
Ando e ando e ando.
Vejo alguns cafés fechados, um carro estacionado e um poste de iluminação partido. Também vejo um pórtico de igreja.
Está um homem na rua.
Com uma manta de trapos e uns cartões.
Está a beber, calculo que seja vinho.
A chuva já lhe estragou o abrigo e ele insiste em resguardar-se com o que pode.
Tenta adormecer, mas fica pasmado a olhar para mim.
Pergunta-me o que é que quero.
Se estou ali para o roubar.
Eu abano a cabeça.
Ele volta a perguntar.
Desta vez, murmura qualquer coisa baixinho.
E olha para mim com medo.
Olha para mim como se me conhecesse.
Sem vida nos olhos.
Tenta um movimento brusco com o braço e agarra-me o casaco.
Não me mexo nem um centímetro pois sei que não me vai fazer mal.
Enquanto ele balbucia a chuva intensifica-se.
Não me estou a rir mas também não consigo chorar.
Não hesitei.
Se calhar não quis hesitar.
Fico a olhar.
Eu disse-te. Eu disse-te.
Ninguém ia dar falta.
O casaco está todo encharcado mas é um impermeável.
Ando e ando e ando.
Vejo alguns cafés fechados, um carro estacionado e um poste de iluminação partido. Também vejo um pórtico de igreja.
Está um homem na rua.
Com uma manta de trapos e uns cartões.
Está a beber, calculo que seja vinho.
A chuva já lhe estragou o abrigo e ele insiste em resguardar-se com o que pode.
Tenta adormecer, mas fica pasmado a olhar para mim.
Pergunta-me o que é que quero.
Se estou ali para o roubar.
Eu abano a cabeça.
Ele volta a perguntar.
Desta vez, murmura qualquer coisa baixinho.
E olha para mim com medo.
Olha para mim como se me conhecesse.
Sem vida nos olhos.
Tenta um movimento brusco com o braço e agarra-me o casaco.
Não me mexo nem um centímetro pois sei que não me vai fazer mal.
Enquanto ele balbucia a chuva intensifica-se.
Não me estou a rir mas também não consigo chorar.
Não hesitei.
Se calhar não quis hesitar.
Fico a olhar.
Eu disse-te. Eu disse-te.
Ninguém ia dar falta.
Friday, August 20, 2010
break
Visualizamos a linha do horizonte. Está a arder sobre tudo, ou pelo menos assim parece.
Não toca o céu, nem tão pouco a água do mar.
Prostrados colocamos a mão sobre a areia e sentimos. Gostamos, mas pensamos que podia ser melhor. Limpamos geometricamente a mente com um pano de trapos, na esperança de que fique um pouco mais limpa; pensamos assim, embora saibamos à partida que não é verdade.
Atrás de nós está uma duna, curvilínea, tocando o Sol. Parece que lhe toca, confunde-nos.
E as crianças estão a brincar na água com os pais, parece um cenário idílico.
Os pais não gostam que olhemos para elas, detestam.
Não nos importamos pois sabemos que nada daquilo é real.
Nós não somos reais.
A areia não existe e a duna não toca o Sol.
O Sol não existe.
O Céu não existe.
A linha do horizonte não existe.
Nós não existimos. Não é possível.
Acho que devíamos ser todos felizes.
Ou devíamos abandonar tudo.
Insanidade.
E bater com as palavras na boca e não dizer nada e ficar a olhar uns prós outros e dizer segredos.
Procrastinar o eu amo-te.
Não toca o céu, nem tão pouco a água do mar.
Prostrados colocamos a mão sobre a areia e sentimos. Gostamos, mas pensamos que podia ser melhor. Limpamos geometricamente a mente com um pano de trapos, na esperança de que fique um pouco mais limpa; pensamos assim, embora saibamos à partida que não é verdade.
Atrás de nós está uma duna, curvilínea, tocando o Sol. Parece que lhe toca, confunde-nos.
E as crianças estão a brincar na água com os pais, parece um cenário idílico.
Os pais não gostam que olhemos para elas, detestam.
Não nos importamos pois sabemos que nada daquilo é real.
Nós não somos reais.
A areia não existe e a duna não toca o Sol.
O Sol não existe.
O Céu não existe.
A linha do horizonte não existe.
Nós não existimos. Não é possível.
Acho que devíamos ser todos felizes.
Ou devíamos abandonar tudo.
Insanidade.
E bater com as palavras na boca e não dizer nada e ficar a olhar uns prós outros e dizer segredos.
Procrastinar o eu amo-te.
Subscribe to:
Comments (Atom)
