Saturday, December 10, 2005

Liberdade artesanal

- Pela primeira não te parece
Que podemos voar?
Se não existisse o céu já nos tínhamos perdido
No teu espaço
No meu espaço
Em lado nenhum. Que te parece pássaro?
Ah, desculpa. Cortaram-te as asas. Mas sonhas?
Sonha que ambos voamos. Não te preocupes, shiu.
Eu não acordo. Afinal voar é liberdade.
E eu quero ser livre.

Friday, December 02, 2005

- …Algo que te queriam mostrar
Não interessa.
Faz isso e espalha rumores
Senso-comum morreu.
Não sabemos a razão
Mas somos livres
Não?
Não existe amor?
Interessa onde começou
Ouvi dizer. (Não sejas ambígua).

Loucura

- Loucos brincam esta noite
E tu desejarias
Mais do que nunca
Poder ser livre e brincar
Mas nunca o poderás ser
E saturada de tudo
Absentes-te e murmuras:
“Quero um dia
Poder ser louca.”

Sunday, October 23, 2005

Por ti

A última vez que levantamos voo
Parece que nos cortaram as asas
Nunca pude levantar questoes
E o meu corpo começou a definhar
O meu espirito
O meu sentir.Dormente

Por favor não me deixes morrer.
Dá-me apenas um beijo.

Monday, October 10, 2005

- O que é que trouxe ao Homem
Um termo real ao mundo?
Uma torcida irreal entre os animais
Uma inclusão (elevada) que provém
De tão pouco, que creio mesmo não ter origem.
Prazer de ser? Vitima? Rei?
Certo é que,
O que principia
Tem um fim.
- Quando perguntei se era tudo
Negaram.
E para inventar
Disseram-me que era estilhaços.
Que tudo eram coisas dispersas
Que a alma eram resquícios, pedaços
E que eu perdi-me em questões incertas.

Sunday, September 18, 2005

- Amanha é outro dia.
Criei tanto e destruí com rapidez
De tanto esperar
Pereci em ti.

Perdi.

Amanha é outro dia.
Sim, amanha sou outro.

Saturday, September 17, 2005

- E se eu te pudesse lembrar,
Uma coisa ou outra, isto ou aquilo
E tu quisesses lembrar?
Será que gostarias da lembrança?
Será que eu me lembraria?
Porém se tal acontecesse
Não me questionavas, ou questionavas-te?

Lembranças. Não te lembres.
Sente apenas.
Eu sigo-te.

Sunday, September 11, 2005

-Cansado de todos os dias escrever
O poeta pára.
Por momentos questiona-se
Assim como quem se questiona se vale a pena
Valer deve valer
Pois escrever poesia
É debruçar-se sobre a vida
E percebe-la.
Por isso o poeta escreve e escreve
Percebendo o que escreve.
O resto do que escreve
Irá saber.

E escreve.
-Se do real
Se trata,
De um tal autoconhecimento
Se pretende encontrar
Uma origem
Uma base fundamental
Uma luz que faz
Sair destas trevas
Uma pura gota
De um puro saber, de gerações
De outrora encantadas
Que vagueias agora?
Pára. Não procures
Ou penses que encontraste
Concebe a ideia e aí
Verás que se trata
De um poema.
-Talvez eu te possa trazer
Algo que nós desconheçamos.
Algo que possa indicar-nos
Algum rumo.
Como é que lhe chamam?
Eu ouvi amor,
Ouvi compaixão,
Ouvi felicidade.
Será que é verdade?

Reflectindo…
Talvez afinal não te possa
Dar a conhecer os verdadeiros passos…
Mas posso tentar caminhar a teu lado.
Afinal o caminho é longo
E caminhar a teu lado
Faz-me perceber que gosto de ti.
-Como é a dor
De um poeta conspurcado,
Que talvez deveria ser abordado
De uma maneira cruel,
Quase que como de desprezo?
Como é a dor de sentir que realmente,
Se sente que tudo pode fazer sentido,
Como é a dor de despertar?
Assim apenas me resta esperar
Que essa dor,
Se instale lentamente,
E por inteiro me consuma.
-Tu não percebes
Ou então não queres perceber.
Falo de sentimentos inquietantes,
Que atingem tão gravemente
Como um punho de aço,
Parece-te que nem são.
Por mim…
Enervante.
Nem sabe a magia,
Nem a plenitude,
Nem a sonhos.

São-te indiferentes não são?

Não.

Pois se fossem…

Tu não eras.

E por isso…

Eu também não.

Impossível.
-Nada maior é ser
Aquilo que tudo sou
Olhando, tentando, adormecendo
E esperando um olhar infinito teu.

Olhas-me e eu que nada sou.
-E por pensar
Desconheço.
E por tentar perceber
Fico perplexo.
E por sentir
Algo esboço.
Angustia garantida
Gratuitamente ganha neste trabalho surreal
Que nada mais é que imaginar.
-A vaguear por qualquer lado
Sem ter a preocupação
De saber se é tarde, nenhuma preocupação.
Olhar para a rua
Para a estrada e equacioná-las…
Impossível.
Dormência.
Não-desejo.
Chegando a atingir este estado…
Demasiado não-nada para perceber que tudo
Perde o controlo e se torna deplorável.
Agora o dever de despertar torna-se demasiado sério e complicado.
-Em todos os espaços
Dividir para criar.
Sentir para saber
Como tudo começou
E acima de tudo…

Sentir-me tudo
E mostrar-te a alegria que provém
De nenhum espaço em especial.

Divisão e sentimentos.
-Seguir e procurar
Aquilo que realmente faz sentido.
Embrenhar-se completamente no desconhecido
Até se encontrar envolto
Em memórias
Memórias há muito esquecidas ou por esquecer
Acções de outrora, acções de agora,
Acções que serão.

Acções em que controversamente o futuro
Não existe, nem pode existir
Futuro que o crias.
E no final,
De encontro ao presente
Ao passado
Ao futuro
Seguir e procurar.
-Solidão em tudo,
Solidão porque se chora,
Solidão porque se perde,
Solidão porque se esquece.

Sentido sinto dó
Pena do que possam saber
Saber sem ser
Aquilo que são.

Solidão é só
E também não conseguir ser tudo.
-A Pessoa
-Um organismo
Um ser compulsivo
Que é sem cessar
Ao sabor de brisas,
De marés. Uma flor seca
Que se torna um sentimento reles
Fútil e inorgânico, contraditoriamente
Ao que penso…e se torna grotesco.
-Todos os momentos
Em todas as alturas
Observei o céu.
Encontrei as aves
As nuvens, o sol
Mas entre todos estes seres do firmamento
Algo não pude encontrar…
O mar, a terra, a lua.
Se no céu procurei
Apesar de tudo, nunca te encontrei
Pois tu
Mar perdeste-te no fundo
Terra deixaste-te secar
E lua deixaste de sonhar.
Perdeste-te em tudo e em nada te deixaste encontrar.
-Como se de pura actividade se tratasse
Suavemente o teu corpo exala sensações
Manifestando odores erógenos
Perdendo-se nesta entropia
Em que tudo se acaba e se inicia.
Que eu vivesse plenamente para o sentir,
Para te saborear
Como uma Fénix robusta Que para me incandescer a alma existe.

Monday, July 11, 2005

Deste mundo
O que levam são memórias
Meras e superficiais
Esquecidas por vezes prematuramente
Sem disposição para ser algo que importe
Deste mundo
Nada levas.
Pena, tudo fica.

Dor lancinante.

Monday, July 04, 2005

Suspensas no tempo,

Como imagens pictóricas

Demasiado limitadas

Para me conseguir recordar de algo…

Tu recordas?

Eu revejo, revejo, revejo…

Em vão por vezes consigo perceber que apenas se passavam na minha cabeça

Tão reais…

Tão significativas…

A inocência morreu, o olhar mudou, nada é o mesmo

Dormente espero um dia poder compreender uma única coisa que seja.
Como posso lidar contigo?
Como posso saber como lidar contigo?
Será que algum dia o saberei?

E se souber…
Tu deixas?
Quem me dera,
Quem me dera,
Quem me dera…
Se tentar olhar
E conseguir perceber
Majestosas formas elaboram
Um tão suave conjunto curvilíneo
Tão perfeito que me espanta
E por isso me transtorna.

E por pouco não me fere.

Tento delicadamente acolher
Este ser que é puro,
Simples e delicado.
E ao tocar-te arrependo-me,
Pois agora apercebo-me de mim,
E lentamente deixo-me desvanecer e largo-te.
Lamento.
Transparente,
Sólido, vulgar,
Intemporal, tímido,
Revoltado.
Assim és,Assim te tornaste poeta
-Num mar vasto,
Onde poucas ondas passam
Um pequeno barco vagueia
Sem qualquer destino

Em meus seixos,
De águas banhadas,
Rumamos perdidos,
Somos os verdadeiros descobridores.

Além-terra, além-mar
Ondulam as ideias.
Sentimentos que vão ao fundo,
Estamos rumando às coisas alheias.

Mas tudo pode um dia
Fazer todo o sentido
Toda esta viagem,
Minha e tua,
Rumo a coisas que desconhecíamos,
Mas que hoje percebemos.
Tudo agora faz sentido
Mesmo quando as ondas param
Mesmo quando as árvores deixam de abanar.

Esta ideia,
Este mar de ideias e sentimentos
É nosso e apenas nosso.
Não o partilhamos com ninguém
Porque agora tudo faz mais sentido.

Partimos, partimos
Remamos e vagueamos,
Indiferentes a toda uma realidade cansada.

“Sou uma falésia,
As águas batem e passam.”______________Diogo Fontes

“Luto com todas as minhas forças por aquilo em que acredito.
Aquilo que sinto fica para sempre.”_____________________________João Canelo

Wednesday, June 15, 2005

Fermenta o sangue nas veias ácido e quente,
Rompendo com os doces olhares distantes.
Há o curvilíneo dos corpos que impera fermente,
Tortura no desejo para os sentidos anelantes.

Debate-se a alma leda num êxtase de opiário,
Combatendo a adrenalina da sinestesia.
Lança-se o corpo num acelerado compasso ternário,
Tacteando lento cada canto da anatomia.

Possuídos da embriaguez, torturados,
Dilacera a alma num único verso de tentação,
Percorre acorrentada, todos os sete pecados.

Chegando-se a tocar numa onírica ilusão,
O pensamento revela-se no rosto em cristal
Cegando o desejo perdido na noite triunfal.
Talvez se percam algumas das memórias. Nem tudo se recorda alegremente ou então tenta-se esquecer.
Quando escrevo isto em alguns dos meus pseudo poemas, provavelmente penso numa atitude egocêntrica. Porém é natural.
Desde nascer até à minha morte pelo menos quero fazer aquilo que aprecio.
Tendências, desejos, serão lineares quando se procura atingir o verdadeiro auge, sentir que o nosso caminho foi percorrido com sucesso, sem atropelos. Aquilo que conto receber são apenas críticas (boas espero) e opiniões.
O que procuro: agradar-me. O que encontro: pessoas que me agradam – para essas vão as minhas desculpas pois poderei ter feito algo que as desagrada-se e os meus agradecimentos por pelo menos lerem com interesse o que escrevo.
Assim espero que com interesse, eu, continue assim.

As pessoas a que pretendo agradecer são simplesmente:

João Canelo, o irmão que encontrei, discreto e inteligente.
Ana Seara, por conseguir algo que sempre me ultrapassou.
Ricardo Dias, por uma simplicidade e alegria inimagináveis.
David Gigante, um homem que se perdeu no futuro.
Marcos Silva, pela sua maneira de ser.

A minha irmã e mãe por serem sempre os meus ícones de mulher, uma mulher trabalhadora e justa. O meu irmão que está guardado no meu coração. O meu cunhado, a quem eu observo atentamente para aprender.

Por tudo, obrigado.
Ser poeta
É ser vago,
É rejeitar todos os pensamentos
Todas as metafísicas.
Ser poeta é sentir o contacto imediato do sol.
É apenas sentir solenemente o amanhecer.
È sentir que tudo-nada tem sentido.

“Se cada um se fiasse no caminho que nos aconselham nada de mais se fazia, pois que eles, os outros, só sabem indicar-nos as suas próprias pisadas”
Olho e percebo.
Percebo que eles estão aqui,
Neste além-infinito.
Estão e percebem, que por mais que não queiram
Eles sabem.
E eu, embrenhado num turbilhão de pensamentos
Alego que os deuses também sabem.

A felicidade e a alegria importam.
Sozinho sou um monstro descomunal,
Sem sentimentos.
Continuo a não sentir a minha face
As minhas mãos, a minha alma.
Todo o meu ser quer aclamar o rompimento
Com a realidade que me espera e me traga a mente.
Estou tão absorto que nada já me afecta.

Perdoem-me pois não sei o que digo. E se o sei não me importa.
Brutal é o nascimento,
A supremacia de um ser que existirá
Tão profundamente
Que ninguém o pode impedir.
Só tu. Só o turbilhão,
O remoinho o impede. Grito, rasgo, perco, contenho-me e…
Odeio-te tão fielmente como o dia em que te conheci…

Resta-me apenas ter a esperança que gostes de mim. E tu gostas. Eu sei.

(Em lembrança, para toda a eternidade, do amor inimaginável que por ti sinto, David.)
Poesia resume-se a isto:
Uma mão concava
Que freneticamente
Transfere ideias, pensamentos, amores, perdições
Para uma folha que mais nada é que um horizonte que sofre pelo poeta.

Tanto em que pensar e não me apetece aborrecer.
És grandioso meu Portugal,
David entre Golias,
Governas daqui todo o teu reino,
Buscando de lés a lés novas fronteiras,
Novos conhecimentos.

Teu ribeirinho povo aqui aclama,
As conquistas de novos mundos
Esperando apenas que o futuro
Tal como no passado já fizeste
Conquistes com a tua impetuosa bravura.

Como és grande e te bradamos ó Portugal.

Saturday, June 04, 2005

-É uma ilha inatingível
Alcançada apenas em sonhos
Saboreada através da mente
Sim…
És tu a minha utopia.
-Acordo com a brecha do tempo
Que é,
Que será.
-Numa noite devota
Procuro a dualidade
De uma perfeição
De eu-para mim.

Numa cristalina matinal
Aguardo solenemente
E encontro.
-Com uma agressividade
O futuro chega:

È incerto, é um mito.
-Sou uma mera totalidade
De conhecimentos adquiridos,
De corpóreo,
Incompleto e imenso.
Caminho loucamente
E majestosamente,
Tentando quebrar todos os caminhos
Que a tudo levam:

A serenidade pura.
-A minha existência
Não depende de ti;
Não obstante
Concedo-te o dom de saberes
Que existo.

Saturday, April 30, 2005

-Seguindo o sol
Encontro a terra,
E revivo tudo,
Por todo o lado.
Ao sabor do vento da montanha,
Relembro-te minha tão querida,
Como uma minha mãe,
Minha avó.
Eras tu e o ancião,
Quem me talham a memória,
Fresca como o campo que rodeava o teu humilde castelo.
Para sempre te lembrarei,
A trabalhar afincadamente,
Qual mulher que seus filhos ama.

E continuarás na minha memória,
Avó.
-Imagina que és.
Rodeado de ti,
Pensando, “de que maneira sou?”
Acreditas agora que és inseparável,
Selvagem, tosco, inseguro, poderoso, etc.
Continua a procurar…
E talvez um dia te encontres.
Mas continua…
-Olha.
Repara.
Tenta.
Nunca questiones, que eu não sei.
-Busco-te com a força de mil montanhas,
Percorrendo-te como um rio,
Que busca sem cessar a tua pureza.
És magnífica e tudo de ti brota.
És a terra e o mar e o ar que respiro,
O fogo que me incendeia e alma que me falta.
E és o anjo que me mata e fere.
És o meu caos que explode violentamente,
E me arranca as vísceras. Quero-te.
Desejo-te.
Mas perdoo-te.
-Perdoa-me mãe,
Pois traí-te.

Traí-te porque já não sou aquilo que queres.
Trai-te pois já não sou o menino dos teus olhos,
A criança que tu alegremente levavas a passear.
Traí-te porque já não aceito as tuas ideias,
E rispidamente palavreio contigo…

Ainda lembro o teu retracto na mesinha.
Ainda recordo o cheiro das flores que recolhias.
E lembro tristemente.

Ainda ouço a tua voz suave,
O teu perfume,
A tua maneira de ser.

Oh perdoa-me a mim.
Que eu a mim já não consigo.
-Espantas-me com a tua inocência,
A fragilidade cristalina,
Duma janela sempre aberta para o mundo,
E fechada para mim.
Percebe que te quero ver,
Limpa e clara, como quero que sejas.
Mas tu oh…estás suja e imunda.

Friday, April 15, 2005

Procuro!

Mais uma vez me encontro,
E pergunto o porquê de não conseguir encontrar
Algo interessante ao menos.
Perco-me....
E desejo solenemente que tu,
Encontres algo melhor.
Não aquele que escreve,
Não aquele que sente,
Mas sim, aquele que simplesmente...
Está.


Obrigado.

Sei que existes, ó anjo que me enlouqueces e me matas todos os dias...Oh por favor não apareças...

Escrevinhas a inteligência
E aprendes bem, o bom. Pareces distante,
E tomas conta que já não és a mesma,
Parecendo tão controlada, tão segura,
Tão certa. Descansas.
Acordas reparando na tua existência fenomenal, é impossível
A vida desistir de ti. Que se passou com o divino?
Porque abandonou a esperança da perfeição?
Tudo está mal, é o caos.
Estares a meus pés, e eu falando,
Não contigo, mas com a estupidez macabra do teu jazigo. Arrependo-me,
E esqueço-me que o teu olhar, a tua maneira de ser,
Apenas eu a sei.
Lembro-me e desejo-te doentiamente. Porquê?

Desabafo

A ciência das razões, quem as dita,
Quem sabe?
Não és tu melhor que eu, pois não?
E eu, que sei eu senão que sou.
Feliz com podridão
Assim é o Homem incerto
A besta que consome.
Gasta e encontra-se gasto,
Roto, podre e morto.
Aquilo que és, não quero
Abram os portões do Céu e deixem-me entrar.

Perde-te em mim, ó perdição

Meu Deus! Que é daquilo lá
Que se perde no vagão dos tempos
Dos racionais e pensadores.
Onde estás tu minh’alma?
Para que caminhas?
Estou aqui…E reparo na tua ausência.
Serei apenas a velha carcaça velha e podre,
Má e imoral, perdida entre outros?
Morto sim, perdido não.
Não fosses tu o meu reflexo
Era eu o obsoleto
Um vazio de nada
Contido num ser,
Que de tudo existe e para tudo é.
O sol nascente de novos ideais
Relampeja qual trovão enraivecido.
E eu apavorado,
Consciencializo-me que partiste,
E por mais que tente…
Foges.
Apenas me resta o contentamento
De te pensar
De te sentir
De te lembrar
De te querer.
Nada do que quero já é
E acordo na plenitude de uma manhã,
Fresca, limpa e negra…na tua ausência.
De ti.
Sou o puro e o ímpio
A criação e a destruição
Sou o frio e o quente
Sou o novo Messias e o desconhecedor
Sou o processo contínuo de algo inexistente
Sou aquilo que quero e que todos querem
Sou o antagonismo inverosímilSou eu

Hino ao divino

Ante a minha morte, bradem os céus
Fiquem os deuses roucos!
Pois perante estes mortais loucos
Sou aqui eu.
Aquilo que sou já jaz aqui
Ninguém lembra
Tudo aquilo que fui.
Era-o em pleno
De nada me arrependo.
Para que momento vivo,
Para que dura esta vida inútil
Tão inconsciente e mentirosa,

De nada quero perturbar o futuro,
Próximo e incerto, inerente e indisciplinado.
Sou feliz sim, não lúcido do extremo
Para que me encontro (ou procuro?)

E vivo só, macambúzio
Alegre e triste, apaixonado e descrente,
Apenas sabendo que,
Vivendo, sou.