Saturday, April 30, 2005

-Seguindo o sol
Encontro a terra,
E revivo tudo,
Por todo o lado.
Ao sabor do vento da montanha,
Relembro-te minha tão querida,
Como uma minha mãe,
Minha avó.
Eras tu e o ancião,
Quem me talham a memória,
Fresca como o campo que rodeava o teu humilde castelo.
Para sempre te lembrarei,
A trabalhar afincadamente,
Qual mulher que seus filhos ama.

E continuarás na minha memória,
Avó.
-Imagina que és.
Rodeado de ti,
Pensando, “de que maneira sou?”
Acreditas agora que és inseparável,
Selvagem, tosco, inseguro, poderoso, etc.
Continua a procurar…
E talvez um dia te encontres.
Mas continua…
-Olha.
Repara.
Tenta.
Nunca questiones, que eu não sei.
-Busco-te com a força de mil montanhas,
Percorrendo-te como um rio,
Que busca sem cessar a tua pureza.
És magnífica e tudo de ti brota.
És a terra e o mar e o ar que respiro,
O fogo que me incendeia e alma que me falta.
E és o anjo que me mata e fere.
És o meu caos que explode violentamente,
E me arranca as vísceras. Quero-te.
Desejo-te.
Mas perdoo-te.
-Perdoa-me mãe,
Pois traí-te.

Traí-te porque já não sou aquilo que queres.
Trai-te pois já não sou o menino dos teus olhos,
A criança que tu alegremente levavas a passear.
Traí-te porque já não aceito as tuas ideias,
E rispidamente palavreio contigo…

Ainda lembro o teu retracto na mesinha.
Ainda recordo o cheiro das flores que recolhias.
E lembro tristemente.

Ainda ouço a tua voz suave,
O teu perfume,
A tua maneira de ser.

Oh perdoa-me a mim.
Que eu a mim já não consigo.
-Espantas-me com a tua inocência,
A fragilidade cristalina,
Duma janela sempre aberta para o mundo,
E fechada para mim.
Percebe que te quero ver,
Limpa e clara, como quero que sejas.
Mas tu oh…estás suja e imunda.

Friday, April 15, 2005

Procuro!

Mais uma vez me encontro,
E pergunto o porquê de não conseguir encontrar
Algo interessante ao menos.
Perco-me....
E desejo solenemente que tu,
Encontres algo melhor.
Não aquele que escreve,
Não aquele que sente,
Mas sim, aquele que simplesmente...
Está.


Obrigado.

Sei que existes, ó anjo que me enlouqueces e me matas todos os dias...Oh por favor não apareças...

Escrevinhas a inteligência
E aprendes bem, o bom. Pareces distante,
E tomas conta que já não és a mesma,
Parecendo tão controlada, tão segura,
Tão certa. Descansas.
Acordas reparando na tua existência fenomenal, é impossível
A vida desistir de ti. Que se passou com o divino?
Porque abandonou a esperança da perfeição?
Tudo está mal, é o caos.
Estares a meus pés, e eu falando,
Não contigo, mas com a estupidez macabra do teu jazigo. Arrependo-me,
E esqueço-me que o teu olhar, a tua maneira de ser,
Apenas eu a sei.
Lembro-me e desejo-te doentiamente. Porquê?

Desabafo

A ciência das razões, quem as dita,
Quem sabe?
Não és tu melhor que eu, pois não?
E eu, que sei eu senão que sou.
Feliz com podridão
Assim é o Homem incerto
A besta que consome.
Gasta e encontra-se gasto,
Roto, podre e morto.
Aquilo que és, não quero
Abram os portões do Céu e deixem-me entrar.

Perde-te em mim, ó perdição

Meu Deus! Que é daquilo lá
Que se perde no vagão dos tempos
Dos racionais e pensadores.
Onde estás tu minh’alma?
Para que caminhas?
Estou aqui…E reparo na tua ausência.
Serei apenas a velha carcaça velha e podre,
Má e imoral, perdida entre outros?
Morto sim, perdido não.
Não fosses tu o meu reflexo
Era eu o obsoleto
Um vazio de nada
Contido num ser,
Que de tudo existe e para tudo é.
O sol nascente de novos ideais
Relampeja qual trovão enraivecido.
E eu apavorado,
Consciencializo-me que partiste,
E por mais que tente…
Foges.
Apenas me resta o contentamento
De te pensar
De te sentir
De te lembrar
De te querer.
Nada do que quero já é
E acordo na plenitude de uma manhã,
Fresca, limpa e negra…na tua ausência.
De ti.
Sou o puro e o ímpio
A criação e a destruição
Sou o frio e o quente
Sou o novo Messias e o desconhecedor
Sou o processo contínuo de algo inexistente
Sou aquilo que quero e que todos querem
Sou o antagonismo inverosímilSou eu

Hino ao divino

Ante a minha morte, bradem os céus
Fiquem os deuses roucos!
Pois perante estes mortais loucos
Sou aqui eu.
Aquilo que sou já jaz aqui
Ninguém lembra
Tudo aquilo que fui.
Era-o em pleno
De nada me arrependo.
Para que momento vivo,
Para que dura esta vida inútil
Tão inconsciente e mentirosa,

De nada quero perturbar o futuro,
Próximo e incerto, inerente e indisciplinado.
Sou feliz sim, não lúcido do extremo
Para que me encontro (ou procuro?)

E vivo só, macambúzio
Alegre e triste, apaixonado e descrente,
Apenas sabendo que,
Vivendo, sou.