Wednesday, June 15, 2005

Fermenta o sangue nas veias ácido e quente,
Rompendo com os doces olhares distantes.
Há o curvilíneo dos corpos que impera fermente,
Tortura no desejo para os sentidos anelantes.

Debate-se a alma leda num êxtase de opiário,
Combatendo a adrenalina da sinestesia.
Lança-se o corpo num acelerado compasso ternário,
Tacteando lento cada canto da anatomia.

Possuídos da embriaguez, torturados,
Dilacera a alma num único verso de tentação,
Percorre acorrentada, todos os sete pecados.

Chegando-se a tocar numa onírica ilusão,
O pensamento revela-se no rosto em cristal
Cegando o desejo perdido na noite triunfal.
Talvez se percam algumas das memórias. Nem tudo se recorda alegremente ou então tenta-se esquecer.
Quando escrevo isto em alguns dos meus pseudo poemas, provavelmente penso numa atitude egocêntrica. Porém é natural.
Desde nascer até à minha morte pelo menos quero fazer aquilo que aprecio.
Tendências, desejos, serão lineares quando se procura atingir o verdadeiro auge, sentir que o nosso caminho foi percorrido com sucesso, sem atropelos. Aquilo que conto receber são apenas críticas (boas espero) e opiniões.
O que procuro: agradar-me. O que encontro: pessoas que me agradam – para essas vão as minhas desculpas pois poderei ter feito algo que as desagrada-se e os meus agradecimentos por pelo menos lerem com interesse o que escrevo.
Assim espero que com interesse, eu, continue assim.

As pessoas a que pretendo agradecer são simplesmente:

João Canelo, o irmão que encontrei, discreto e inteligente.
Ana Seara, por conseguir algo que sempre me ultrapassou.
Ricardo Dias, por uma simplicidade e alegria inimagináveis.
David Gigante, um homem que se perdeu no futuro.
Marcos Silva, pela sua maneira de ser.

A minha irmã e mãe por serem sempre os meus ícones de mulher, uma mulher trabalhadora e justa. O meu irmão que está guardado no meu coração. O meu cunhado, a quem eu observo atentamente para aprender.

Por tudo, obrigado.
Ser poeta
É ser vago,
É rejeitar todos os pensamentos
Todas as metafísicas.
Ser poeta é sentir o contacto imediato do sol.
É apenas sentir solenemente o amanhecer.
È sentir que tudo-nada tem sentido.

“Se cada um se fiasse no caminho que nos aconselham nada de mais se fazia, pois que eles, os outros, só sabem indicar-nos as suas próprias pisadas”
Olho e percebo.
Percebo que eles estão aqui,
Neste além-infinito.
Estão e percebem, que por mais que não queiram
Eles sabem.
E eu, embrenhado num turbilhão de pensamentos
Alego que os deuses também sabem.

A felicidade e a alegria importam.
Sozinho sou um monstro descomunal,
Sem sentimentos.
Continuo a não sentir a minha face
As minhas mãos, a minha alma.
Todo o meu ser quer aclamar o rompimento
Com a realidade que me espera e me traga a mente.
Estou tão absorto que nada já me afecta.

Perdoem-me pois não sei o que digo. E se o sei não me importa.
Brutal é o nascimento,
A supremacia de um ser que existirá
Tão profundamente
Que ninguém o pode impedir.
Só tu. Só o turbilhão,
O remoinho o impede. Grito, rasgo, perco, contenho-me e…
Odeio-te tão fielmente como o dia em que te conheci…

Resta-me apenas ter a esperança que gostes de mim. E tu gostas. Eu sei.

(Em lembrança, para toda a eternidade, do amor inimaginável que por ti sinto, David.)
Poesia resume-se a isto:
Uma mão concava
Que freneticamente
Transfere ideias, pensamentos, amores, perdições
Para uma folha que mais nada é que um horizonte que sofre pelo poeta.

Tanto em que pensar e não me apetece aborrecer.
És grandioso meu Portugal,
David entre Golias,
Governas daqui todo o teu reino,
Buscando de lés a lés novas fronteiras,
Novos conhecimentos.

Teu ribeirinho povo aqui aclama,
As conquistas de novos mundos
Esperando apenas que o futuro
Tal como no passado já fizeste
Conquistes com a tua impetuosa bravura.

Como és grande e te bradamos ó Portugal.

Saturday, June 04, 2005

-É uma ilha inatingível
Alcançada apenas em sonhos
Saboreada através da mente
Sim…
És tu a minha utopia.
-Acordo com a brecha do tempo
Que é,
Que será.
-Numa noite devota
Procuro a dualidade
De uma perfeição
De eu-para mim.

Numa cristalina matinal
Aguardo solenemente
E encontro.
-Com uma agressividade
O futuro chega:

È incerto, é um mito.
-Sou uma mera totalidade
De conhecimentos adquiridos,
De corpóreo,
Incompleto e imenso.
Caminho loucamente
E majestosamente,
Tentando quebrar todos os caminhos
Que a tudo levam:

A serenidade pura.
-A minha existência
Não depende de ti;
Não obstante
Concedo-te o dom de saberes
Que existo.