Friday, August 20, 2010

break

Visualizamos a linha do horizonte. Está a arder sobre tudo, ou pelo menos assim parece.
Não toca o céu, nem tão pouco a água do mar.
Prostrados colocamos a mão sobre a areia e sentimos. Gostamos, mas pensamos que podia ser melhor. Limpamos geometricamente a mente com um pano de trapos, na esperança de que fique um pouco mais limpa; pensamos assim, embora saibamos à partida que não é verdade.
Atrás de nós está uma duna, curvilínea, tocando o Sol. Parece que lhe toca, confunde-nos.
E as crianças estão a brincar na água com os pais, parece um cenário idílico.

Os pais não gostam que olhemos para elas, detestam.

Não nos importamos pois sabemos que nada daquilo é real.
Nós não somos reais.
A areia não existe e a duna não toca o Sol.
O Sol não existe.
O Céu não existe.
A linha do horizonte não existe.
Nós não existimos. Não é possível.
Acho que devíamos ser todos felizes.
Ou devíamos abandonar tudo.
Insanidade.
E bater com as palavras na boca e não dizer nada e ficar a olhar uns prós outros e dizer segredos.
Procrastinar o eu amo-te.

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